Diários de The Last of Us, Red Dead Redemption 2 e Life is Strange mostram como registrar pensamentos e acontecimentos pode ser uma ferramenta útil fora dos videogames

Quem já passou algumas horas em The Last of Us, Red Dead Redemption 2 ou Life is Strange provavelmente encontrou um elemento que parece pequeno, mas tem enorme importância para a narrativa: o diário dos personagens.
Mais do que registrar acontecimentos, essas páginas revelam pensamentos, sentimentos, desenhos e lembranças que ajudam o jogador a conhecer melhor quem está controlando.
A ideia também pode funcionar fora dos games. O chamado journaling é justamente o hábito de registrar pensamentos, sentimentos, experiências ou ideias.
E não existe uma fórmula obrigatória: pode ser um diário tradicional, uma lista de pensamentos, textos livres ou até páginas com desenhos e outras formas de expressão.
O que é journaling?
De maneira simples, journaling significa manter algum tipo de registro pessoal para organizar aquilo que está passando pela cabeça.
A prática pode envolver acontecimentos do dia, sentimentos, preocupações, objetivos, ideias ou situações específicas.
A diferença para um diário convencional está principalmente na intenção. Em vez de apenas escrever o que aconteceu, a pessoa também pode tentar entender como determinada situação a afetou e por que aquele acontecimento continua ocupando espaço na mente.
Não é necessário escrever páginas e páginas. Algumas pessoas preferem registrar poucas linhas diariamente, enquanto outras escrevem somente quando sentem necessidade.
Também existem diferentes formatos. É possível fazer free writing, escrevendo livremente sem preocupação com gramática ou organização, criar listas de gratidão, acompanhar metas ou simplesmente colocar no papel aquilo que parece difícil organizar mentalmente.

O que os diários dos games têm a ver com journaling?
Nos videogames, os diários são frequentemente utilizados como ferramentas narrativas. Em Red Dead Redemption 2, por exemplo, as anotações de Arthur Morgan ajudam a revelar pensamentos e acontecimentos que não seriam apresentados da mesma maneira apenas por meio dos diálogos.
Em Life is Strange, o diário de Max também contribui para construir a personalidade da protagonista. Desenhos, fotografias, comentários e registros pessoais fazem com que o objeto pareça realmente pertencer à personagem.
A mesma lógica aparece em outros jogos. The Witcher 3, Baldur’s Gate 3 e Elden Ring utilizam diferentes sistemas de registro para acompanhar acontecimentos, personagens, missões e informações importantes da jornada.
Para o jogador, isso funciona como memória da aventura. Na vida real, a proposta pode ser parecida: criar um espaço para guardar pensamentos e voltar a eles posteriormente.
Como o journaling pode organizar os pensamentos?
Colocar uma ideia no papel pode ajudar a transformar algo abstrato em palavras concretas. Uma preocupação que parecia confusa pode ficar mais fácil de identificar quando é descrita com calma.
O journaling também pode ser usado para acompanhar objetivos, perceber padrões de comportamento e refletir sobre decisões.
Ao reler registros antigos, algumas pessoas conseguem perceber mudanças na maneira como enxergavam determinada situação.
Outra possibilidade é utilizar a escrita para fazer uma espécie de descarrego mental. Em vez de tentar resolver imediatamente tudo o que está incomodando, a pessoa simplesmente registra as ideias e deixa aquele conteúdo fora da cabeça por alguns minutos.
Isso não significa que escrever automaticamente resolverá um problema. O benefício pode estar justamente em criar um momento de reflexão.
Como começar a fazer journaling?
Não é preciso comprar um caderno específico ou seguir um método complicado. Um bloco de notas, aplicativo ou caderno comum já pode servir.
Uma forma simples de começar é responder três perguntas:
- O que aconteceu hoje?
- Como eu me senti com isso?
- Existe algo que quero fazer diferente amanhã?
Também é possível escrever livremente durante cinco ou dez minutos, sem preocupação com qualidade ou organização.
Quem gosta da estética dos games pode até transformar o processo em uma experiência mais visual, usando desenhos, fotografias, mapas, ingressos ou outros elementos que representem momentos importantes.
Journaling substitui terapia?
Não. Apesar de poder ser utilizado como ferramenta de reflexão e autoconhecimento, o journaling não substitui acompanhamento psicológico ou tratamento profissional quando eles são necessários.
A prática pode funcionar como complemento para quem deseja registrar emoções, acompanhar experiências ou organizar pensamentos, mas não deve ser encarada como solução universal para questões de saúde mental.
Opinião: os games podem ensinar mais do que parece
Os diários de The Last of Us, Red Dead Redemption 2 e Life is Strange mostram como uma mecânica aparentemente simples pode aprofundar personagens e histórias. Fora dos videogames, o mesmo conceito ganha outra função.
O journaling não precisa ser perfeito, diário ou elaborado. Seu valor está justamente na liberdade de registrar aquilo que faz sentido para cada pessoa.
Assim como acontece com os protagonistas dos games, escrever pode ser uma maneira de olhar para a própria jornada e entender melhor o caminho percorrido.

